Quais são as nossas prioridades?

Quem acompanha o Blog Vivendo em Hamilton há um tempo, provavelmente já percebeu que de tempos em tempos, nos intervalos entre uma dica e outra, gostamos de postar algumas reflexões, baseadas em experiências que tivemos, ou simplemente observamos, desde que chegamos aqui no Canadá.

Pois bem. No último final de semana, uma situação que aconteceu aqui em Ontário nos fez refletir a respeito. No domingo à noite, a Polícia de Ontário (OPP), mais especificamente do município de Orillia, emitiu um alerta conhecido como Amber Alert. Este tipo de alerta está relacionado à crianças desaparecidas e/ou raptadas e está integrado ao National Alert Aggregation & Dissemination System, um sistema que conecta TV abertas e fechadas, estações de rádio, internet e emite alertas, ao mesmo tempo, em todos estes canais de comunicação, em casos de desastres naturais, ameaças de terrorismo e qualquer outra situação que possa impactar a ordem por aqui.

O Amber Alert do último domingo foi utilizado pela primeira vez desde que foi remodelado há algum tempo. No caso, uma tela vermelha, acompanhada de um alerta sonoro, invadiu as telas das TV e estações de rádios com a informação de que um garoto na faixa de 8-13 anos havia sido visto sendo levado à força  por uma van, no município de Orillia. O alerta dava as descrições físicas tanto da criança quanto do possível sequestrador.

amber-alert

Mais tarde, naquela mesma noite, o alerta surgiu novamente informando que o garoto havia sido encontrado e que estava bem. Na verdade, o que soubemos depois é que o caso não passou de um mal entendido, já que as pessoas vistas levando o garoto eram os próprios pais que o haviam encontrado após ele ter fugido de casa.

O que nos chamou atenção, no entanto, não foi a eficiência do sistema e a rapidez com o qual a informação se espalhou na tentativa de solucionar o caso. Antes fosse! Soubemos que após o primeiro alerta ser emitido, inúmeras pessoas começaram a ligar para o 911, número da polícia, para registrar queixas de que aquele alerta tinha atrapalhado o programa de TV que estavam assistindo. Sim, é isso mesmo que vocês entenderam. As linhas da polícia ficaram ocupadas não para relatar pistas de onde a “suposta vítima” estava, mas sim para dizer que haviam perdido trechos de seu programa favorito por causa de tal alerta.

Felizmente este caso não passou de uma confusão em que as testemunhas do suposto sequestro interpretaram erroneamente a situação que presenciaram. Mas e se não fosse? O seu programa de TV é assim tão mais importante do que a vida de uma pessoa? E o desespero dos pais desta e de tantas outras crianças desaparecidas não conta em nada? Quais são as nossas prioridades?

Cada vez mais temos certeza de que vivemos em um mundo egoísta em que as pessoas se preocupam apenas com o que está a sua volta. É triste ver isso acontecer, não apenas aqui no Canadá, mas em qualquer outro lugar do mundo. Nós brasileiros temos o hábito de achar que apenas no Brasil as coisas ruins acontecem e muitas vezes fechamos os olhos para o que acontece fora dele. Não. Infelizmente isso está em todo lugar e acontecendo cada vez com mais frequência.

A única boa lição que se tira desta história é que muitos ficaram indignados com a atitude destas pessoas que fizeram as ligações para a polícia, e o assunto foi amplamente discutido durante esta semana. Torço, no entanto, que este fato tennha servido para promover uma reflexão e que todos nós possamos acordar, o mais rápido possível, sabendo de fato quais são as nossas prioridades. Onde queremos chegar? Será que estamos fazendo a nossa parte para que as mudanças que queremos ver no mundo aconteçam? Penso que vale a pena esta reflexão…

 

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3 comentários sobre “Quais são as nossas prioridades?

  1. Realmente o ser humano tem atitudes lamentáveis. Não existe um lugar perfeito onde todos estão preocupados com o coletivo. Nota-se que no Canadá esse senso de coletividade é maior que por aqui no Brasil, mas com certeza não é perfeito e sempre haverá aqueles egoístas que não enxergam além do umbigo. Triste realidade, mas quando se trata do ser humano tudo é possível. Excelente reflexão!

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