Hamilton – Toronto: viajando de trem diariamente

GO train

Foto extraída do Google Imagens

Nos últimos tempos temos recebido bastante perguntas de nossos leitores, e uma delas nos chamou a atenção por vir com uma certa frequência: é possível morar em Hamilton e trabalhar em Toronto?

Certamente que sim. Inclusive, já comentamos anteriormente por aqui que as melhores oportunidades de emprego estão em Toronto, portanto, aqueles que pretendem morar em Hamilton e trabalhar por lá, terão que fazer o trajeto de ida e volta diariamente.

Mas a pergunta que recebemos é, principalmente, no sentido de como essa viagem é feita na prática, quanto tempo leva, quanto custa, ou seja, essas coisas que devem ser levadas em consideração na hora de escolher uma cidade para viver.

Para iniciar este assunto, com o objetivo de facilitar a vida daqueles que já tiveram a curiosidade de consultar o site da Go Transit, aqui em Hamilton existem duas estações de trem:  Hamilton GO Centre e West Harbour GO. A primeira delas é a mais antiga e fica localizada na região central da cidade (downtown). A West Harbour foi inaugurada em 2015 na época dos Jogos Panamericanos e, embora, seja relativamente perto da outra estação, fica localizada mais ao norte.

Existem apenas 6 horários de trens que saem de Hamilton com destino a Toronto. Dois deles saem da estação West Harbour (6:16 e 6:46) e não passam pela Hamilton GO Centre. Os demais trens saem da estação central às 6:00, 6:30, 7:00 e 7:15. Depois deste horário, a opção é pegar o trem na cidade vizinha Aldershot, ou optar pelo ônibus que sai a cada 15 ou 20 minutos, durante todo o dia.

O valor individual de cada viagem sai por $12.10, ou seja, $24.20 por dia. Neste caso, a melhor opção é comprar o valor mensal de $384.05, pois além de diminuir a tarifa após a 35ª viagem, o mesmo poderá ser deduzido na sua declaração imposto de renda.

Desde que chegamos, utilizamos o trem algumas vezes para ir à Toronto, mas me lembro das duas últimas vezes em que pegamos o horário das 7:15 que sai da Hamilton GO Centre. Chegamos na Union Station, já em Toronto, por volta das 8:35 e ainda precisamos pegar o metrô para andarmos cerca de 6 estações até chegarmos ao nosso destino final.

Assim, se você trabalha em Toronto e entra às 9:00 no escritório, provavelmente o trem das 7:15 não é a melhor das opções, ou correrá o risco de chegar atrasado. Na parte da tarde, quando estiver retornando, terá 4 opções de trem com destino a estação central de Hamilton: 16:30, 17:00, 17:37 e 18:30. Vale lembrar que este último, chega aqui em Hamilton às 19:45.

Minha pergunta é: será que vale a pena viajar assim diariamente por tantas horas? Me lembro de quando morava em São Paulo e passava uma quantidade absurda de horas no trânsito, tempo este que poderia ser aproveitado para fazer outras coisas mais úteis, ou mesmo dormir um pouco mais.

Muitas pessoas escolhem viver em Hamilton, pois o custo de vida é relativamente mais baixo do que outras cidades aqui no Canadá. Mas será que não vale a pena utilizar os $384.05 dólares mensais para complementar um aluguel mais próximo de Toronto e assim economizar o tempo gasto no deslocamento?

As respostas para estas perguntas podem variar de pessoa para pessoa, mas acredito que todas elas devem ser levadas em consideração na hora em que você estiver escolhendo a melhor cidade para morar. Se o trânsito é algo que te incomoda aí no Brasil, faça de tudo para evitá-lo aqui, ou poderá ficar frustrado quando estiver fazendo isso no dia-a-dia.

Espero que este post tenha ajudado aqueles que planejam vir e pensam em trabalhar em Toronto, mas acima de tudo, que tenha despertado a reflexão se Hamilton continua sendo a sua primeira opção de cidade para viver.

Uma ótima semana a todos e até a próxima!

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Compras no supermercado no Canadá

Grocery Shopping

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O post de hoje tem uma participação especial. Recebemos com frequência perguntas sobre o custo de vida aqui no Canadá e quanto, em média, sai uma compra no supermercado. Pensando nisso, convidamos a nossa leitora Marcia para nos ajudar a fazermos algo o mais próximo da realidade de nosso público.

A Marcia é casada e tem três filhos, portanto, a lista de compras dela é, sem dúvida, diferente da que nós costumamos comprar apenas para nós dois. Assim, solicitamos à ela que nos envisse uma relação de itens que não podem faltar na lista de compras deles quando vão ao supermercado no Brasil.

Adianto que não incluimos nesta pesquisa os preços das carnes e das frutas, uma vez que temos outros posts que já falam sobre estes dois ítens.

Fizemos a pesquisa em dois diferentes supermercados aqui de Hamilton, assim fica mais fácil para que nossos leitores façam comparações e decidam qual a melhor opção para fazer as suas compras.

Também é importante destacar que os valores variam bastante de uma semana para outra, portanto é sempre conveniente acompanhar as promoções que iniciam todas às sextas-feiras. Já falamos também sobre isso anteriormente aqui no Blog, e recomendo que todos utilizem o aplicativo de celular Flipp para buscar os melhores preços de cada produto.

Percebam que alguns produtos não encontramos no Walmart, assim como outros estão com os valores superiores ao do Food Basics. Nestas situações, caso o produto tenha sido anunciado pela concorrência, basta levar o jornalzinho ou mesmo mostrar a foto no celular, e o Walmart cobrirá o valor anunciado. Simples assim!

Agora vamos à lista. Como sempre, evite fazer comparações com a moeda brasileira, uma vez que quando você estiver morando aqui, suas transações serão apenas em dólares.

Pesquisa de Precos

Também não podemos esquecer que em alguns destes produtos (principalmente de higiene pessoal e limpeza) será aplicado o imposto (HST) que no caso de Ontário é de 13% sobre o produto.

Alguns dos produtos mencionados nesta lista podem ser substituídos por outros da marca própria do mercado. Em alguns casos, os valores são bem mais em conta e a qualidade não é afetada. Podemos citar como exemplo a marca Great Value do Walmart que carrega uma linha de produtos com valores mais acessíveis, tais como Creme de Leite ($ 1.33), Leite Condensado ($1.97), Pão para Hamburguer ($2.36), Milho/Ervilha em lata ($1.47), Salsicha ($2,97), Detergente ($1.67), Água Sanitária ($1.98), entre outros.

Não temos o hábito de comprar frios (presunto, mussarela, etc) já fatiados no mercado. Damos preferência para aqueles lugares que fatiam na hora, mesmo que o preço seja um pouco superior aos apresentados nesta planilha. Com certeza a qualidade é bem maior e os produtos mais frescos. Já mencionados também que preferimos comprar carnes, frutas e legumes no mercado de produtores locais e que não achamos que o Walmart seja a melhor das opções, mas esta é apenas uma opinião pessoal.

Esperamos que esta pesquisa tenha sido suficiente para que vocês tenham uma base maior de quanto gastarão no mercado quando estiverem morando aqui. Caso tenham alguma dúvida sobre algum produto específico ou queiram comentar sobre este post, não deixem de escrever no espaço destinado aos comentários. Fazemos questão de responder a cada um deles.

E se vocês conhecem alguém que tem interesse em morar aqui no Canadá, compartilhem este post com seus amigos, pois esta pode ser uma curiosidade que eles também tenham.

Agradecemos a todos por nos acompanharem e hoje, em especial, à Marcia por ter contribuído de forma tão positiva para este post.

Um abraço a todos e até a próxima!

 

Vivendo nas ruas de Hamilton

Homeless - Winter photo

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No último post, falamos um pouco sobre o inverno aqui no Canadá e, por isso, achamos importante falar sobre um assunto que se torna uma grande preocupação (para uma parte da população), durante este período.

Embora muita gente pense que nas grandes potências mundiais os problemas sociais, que tanto conhecemos, não existem, podemos afirmar que isso não é uma verdade. Muito pelo contrário, existem sim e não são poucos. Um exemplo disso, é a grande população de moradores de rua que vive aqui no Canadá.

Na cidade de Hamilton, mais especificamente, a população de rua é uma realidade que precisa ser enfrentada e que cresce a cada dia. Existem, no mínimo, 3 abrigos emergenciais para moradores de rua do sexo masculino e também alguns para mulheres, combinados com programas que atendem mulheres em situação de violência doméstica.

Durante os dias de frio intenso, principalmente naqueles que em é emitido um alerta (cold alert) pelos órgãos de saúde (temperaturas abaixo de -15C), os abrigos trabalham com programas emergenciais, e mesmo que a capacidade máxima já tenha sido atingida, acabam improvisando espaços para que possam receber um número maior de clientes, evitando, assim, mortes ocasionadas por hipotermia.

Estes abrigos são estruturados para fornecer, no mínimo, 3 refeições ao dia (café da manhã, almoço e jantar), além de disponibilizar máquinas para que os clientes lavem as suas roupas. Como eles não podem entrar com seus medicamentos nos dormitórios, os mesmos são retidos com a equipe de funcionários que se encarrega de administrá-los nos horários determinados pelo médico.

Não pretendo com este post tecer comparações com os serviços disponibilizados em outros países, inclusive com o Brasil, até porque não tenho conhecimento de como eles funcionam, mas vejo que aqui, embora ainda de forma paternalista, existe uma rede de atendimento integrada, e estes usuários são encaminhados para outras agências sociais, com o objetivo de conquistar o seu próprio espaço, emprego, renda, enfim, superar a sua vulnerabilidade.

Outra questão importante é que este serviço é financiado parcialmente pelo governo, mas se mantém principalmente através de doações. O trabalho é muito sério, no entanto, nem sempre com sucesso, afinal trabalhar com população vulnerável não é uma missão fácil.

Para aqueles que pretendem morar aqui em Hamilton, perceberão que a cidade possui um grande número de programas sociais e isso pode ser facilmente notado quando se circula pela região central, todavia, com o aquecimento do mercado imobiliário e, consequentemente, o aumento do custo de vida, estes programas estão ameaçados. Assim, é sempre importante que os moradores e empresários locais apoiem estes projetos, continuem suas doações e dediquem seu tempo através de trabalho voluntário.

E para quem já está aqui na região e tem interesse em ajudar, seguem os endereços dos abrigos emergenciais que estão sempre precisando de ítens de higiene pessoal, primeiros socorros, roupas e alimentos não perecíveis:

Mission Services of Hamilton: 325 James Street North, Hamilton, Ontario.

Good Shepherd Centre: 135 Mary Street, Hamilton, Ontario.

Salvation Army: 94 York Blvd, Hamilton, Ontario.

Um abraço a todos e até a próxima!!!

 

 

Eu não aguento esse frio…


Prepare-se: em 95% das vezes que você disser a alguém que mora ou vai morar no Canadá, ouvirá a frase “eu não aguento esse frio”!!!

É bem verdade que o inverno no Canadá é extremamente rigoroso e que este é ainda um motivo que impede muitas pessoas de conhecerem o país durante os primeiros meses do ano.

Mas será que viver em terras geladas é assim tão difícil? Depende de cada um.

Em nosso caso, temos que admitir que os números sempre nos assustaram muito mais do que o frio propriamente dito. Enquanto ainda estávamos no Brasil, acompanhávamos a temperatura através de aplicativos de celular e também ficávamos impressionados sempre que víamos algo em torno de -20C.

 Exatamente por ficarmos preocupados com isso, pesquisamos bastante como teríamos que fazer para nos protegermos durante os dias mais frios. Sabíamos que precisaríamos nos vestir em camadas para mantermos a temperatura do nosso corpo. Também vimos que teríamos que investir em um casaco mais reforçado, principalmente para os dias em que estivesse nevando. Na época, vimos indicações de marcas como Canada Goose, The North Face, Columbia, entre outras. A verdade, no entanto, é que você não precisa chegar no Canadá já gastando CAD 300 em um casaco. É possível encontrar produtos de qualidade em locais mais acessíveis, desde que sejam bem reforçados e próprios para temperaturas negativas.

Quando buscar um casaco, é importante que ele tenha down insulation, material normalmente feito com penas de ganso ou pato, ou a mistura de ambos.

 Além disso, toucas, luvas, cachecóis, meias, roupas térmicas e botas de inverno serão os seus companheiros inseparáveis durante todo o primeiro trimestre do ano.

Nos ambientes internos, no entanto, ninguém precisará se preocupar com o frio. As casas, apartamentos, edificios comerciais são totalmente estruturados com um sistema de aquecimento que te fará arrancar o casaco e todos os demais acessórios sempre que entrar em algum destes lugares. Além disso, as torneiras possuem água quente que, dependendo da situação, são suficientes até para fazer um chá.

 O segredo, portanto, para conviver bem durante o inverno é estar sempre antenado sobre as variações da temperatura durante o dia. Também é importante sempre cobrir as extremidades do corpo, tais como nariz, orelhas, bochechas, principalmente nos dias em que a tempetura estiver na casa dos -30C. Caso sinta calor durante o dia, elimine algumas das camadas antes que o corpo comece a transpirar. Se as roupas ficarem molhadas por algum motivo, troque-as o quanto antes, ou perderá a temperatura do corpo rapidamente.

 Acredite: se estiver com as roupas adequadas, você não sofrerá com o frio. Não estamos dizendo, no entanto, que você precisa gostar ou se acostumar com frio ou com a neve, mesmo porque muitos canadenses não se acostumaram com isso até hoje. Mas a vida não para por aqui, mesmo durante os dias mais frios. Todos convivem com as baixas temperaturas e tocam as suas vidas durante esta época. Além disso, passa tudo tão rápido que quando você menos espera, a neve começa a derreter e abrir espaço para a chegada das flores da primavera.

E depois do que falamos, você terá coragem de vir para o Canadá durante o inverno ou ainda ficará morrendo de medo do frio? Coragem, pelo menos uma vez na vida você tem que assistir este espetáculo da natureza. Você pode até não gostar, mas pelo menos boas fotos tenho certeza que você terá.

Uma boa semana a todos e até a próxima!

 

 

Alugando apartamento no Canadá

Uma das principais dúvidas que se passam na cabeça de 10 entre 10 pessoas que resolvem morar em outro país é: “onde vou morar quando chegar lá?

Na época em que nós estávamos pesquisando tudo sobre o Canadá, encontramos em alguns canais do Youtube pessoas recomendando que procurássemos apartamento para alugar no site Kijiji. Confesso que fizemos isso durante um tempo, até que percebemos que de nada adiantaria ficar olhando fotos, sem saber se iriámos de fato gostar do local.

Nossa estratégia então, foi decidir, primeiramente, qual o lugar de Hamilton gostaríamos de morar e a partir daí começamos a nossa programação. Quem acompanha o blog há um tempo provavelmente já leu o post em que falamos sobre “Onde morar em Hamilton”.

Bay 100 - Effort TrustDepois que decidimos que queríamos aquela determinada região, esperamos nosso desembarque no Canadá e já no segundo ou terceiro dia que estávamos em Hamilton, começamos a nossa caçada. Tenho que admitir que fazer isso durante o inverno não foi muito fácil. No dia em que começamos nevou e depois mais tarde choveu, deixando as ruas da cidade uma verdadeira lama.

Tirando a questão do frio, o restante correu bem. Andamos pelas ruas que gostaríamos de morar, olhamos a fachada dos prédios e entramos em todos os que por algum motivo nos interessaram. Alguns deles tivemos que tocar o interfone e pedir para falar diretamente com o síndico, aqui chamado de building manager. Nessa hora você já precisa dizer que tipo de apartamento tem interesse, ou seja, se é de um, dois ou mais quartos.

Nos prédios em que há disponibilidade, o síndico ou algum outro representante da Administradora te levará para conhecer o apartamento. Lembre-se que este é o momento certo para fazer todas as perguntas. Além disso, tem que olhar cada detalhe para identificar se aquele é ou não um bom negócio. É importante conferir tudo: abrir as torneiras, o chuveiro, verificar se o ar está em uma temperatura agradável (principalmente se for inverno), olhar dentro dos armários, ver se as portas estão fechando/trancando, perguntar sobre vaga de garagem, ver se o elevador funciona, conhecer a lavanderia, ou seja, tudo. Se você trouxe o seu animal de estimação ou pretende adquirir um quando estiver aqui, também precisa perguntar se o prédio é pet-friendly, evitando assim, surpresas desagradáveis no futuro.

Caso se interesse pelo apartamento, você terá que preencher uma proposta com todos os seus dados e entregar alguns documentos que serão encaminhados para análise. Na época tivemos que esperar uns 3 dias até recebermos a confirmação da aprovação, e me lembro que ficamos totalmente ansiosos enquanto a resposta não vinha. Este é um dos motivos que eu recomendo que vocês fechem um local provisório por pelo menos 15 dias, assim terão tempo para resolver toda  a questão burocrática, sem correr o risco de ser colocado na rua.

Se sua proposta for aprovada, você terá que assinar o lease de 12 meses (esta é a prática mais comum por aqui) e fazer o pagamento do primeiro e do último aluguel. Nem todas as províncias aqui do Canadá permitem a cobrança do último mês, mas para quem vem para Ontário, já venha preparado para fazer o pagamento. A parte boa é que se daqui dois ou três anos você decide se mudar daquele prédio, não precisará pagar novamente pelo último mês. Neste caso, você terá que fazer uma carta, normalmente com 2 meses de antedecência, informando que deixará o apartamento naquela determinada data.

Já mencionei isso em outro post, mas acho que vale a pena reforçar. Faça o possível para fechar um apartamento em que você se sinta confortável. Lembre-se que você terá que ficar no local por, pelo menos 1 ano, e todo começo já é suficientemente desafiador. Não fique em um local que te trará um mal estar cada vez que você entrar nele.

Acho que é isso. Caso vocês tenham alguma dúvida ou alguma curiosidade sobre este assunto, escreva-nos um comentário que faremos o possível para respondê-los.

Um abraço a todos e até a próxima!!!

 

 

 

Como trazer seu cachorro para o Canadá?

Alice Aeroporto

Essa semana recebi uma pergunta sobre como foi o processo para trazermos a Alice para o Canadá. Quem nos acompanha desde o início sabe que a Alice é a nossa shih tzu de 4 anos que veio junto com a gente do Brasil.

No post “A Viagem” eu falo um pouco sobre como foi a experiência da Alice durante a viagem propriamente dita, mas acho importante falar também de todo o preparo que tivemos antes disso, afinal, muitos de nossos leitores podem estar passando pela mesma situação.

Assim que compramos a nossa passagem com a Air Canada, meses antes da viagem, ligamos na Central de Atendimento da companhia e fizemos o cadastro da Alice. Como nossa intenção sempre foi de levá-la conosco dentro da cabine, tivemos que fazer este cadastro, pois o número de animais de estimação em cada voo é limitado e não queríamos ter nenhum problema no dia do embarque. Neste momento a atendente perguntou o nome do animal e também qual o peso com e sem a bolsa de transporte.

Vale lembrar que optamos pela bolsa flexível, uma vez que queríamos que a nossa bebezinha tivesse o máximo conforto possível durante o voo. Pegamos as medidas permitidas diretamente no site da Air Canada e mandamos fazer uma bolsa que tivesse exatamente aquelas dimensões.

Na semana da viagem, levamos a Alice à veterinária que já cuidava dela desde bebezinha. Esta precisou emitir um Atestado de Saúde, afirmando que examinou o animal e que este estava clinicamente sadio. Neste atestado, deve constar a identificação completa do animal, tais como nome, raça, cor, data de nascimento, idade, etc.

Faltando apenas alguns dias para o nosso embarque, levei o Atestado de Saúde, juntamente com a Carteira de Vacinação atualizada da Alice até o Aeroporto Internacional de São Paulo (GRU), no posto do Ministério da Agricultura para solicitar o Certificado Zoosanitário Internacional – CZI.

Importante dizer que antes de ir ao Ministério da Agricultura é necessário agendar uma data por telefone, com antecedência. Eu não sabia que era preciso agendar, mesmo assim liguei apenas para confirmar. Na ocasião, fui informado que não havia mais nenhuma data disponível para aquele ano. Vocês já podem imaginar o meu desespero, certo? Como nós iríamos viajar e deixar a Alice no Brasil? Felizmente, a atendente consultou a agenda e viu que tinha uma desistência exatamente para a data que eu procurava. Ufa, respirei aliviado!

No dia agendado, levei a Alice comigo, pois não tinha certeza se o animal precisava estar junto. Não, não é necessário levar o bichinho com você! Preenchi um formulário que continha informações obrigatórias, tais como o endereço no Brasil e um endereço no Canadá. Como nós ainda não tínhamos um endereço definitivo, colocamos o endereço da nossa casa temporária mesmo.

O CZI não fica pronto no mesmo dia. Tivemos que aguardar 2 dias para poder retirá-lo, portanto, não deixe para fazer este processo no último minuto. Existem prazos a serem seguidos e os documentos como o atestado de saúde e o próprio CZI tem uma validade muito curta. Programem-se para fazer tudo isso na semana da viagem, mas sempre com o cuidado para não ficarem apurados. Ter que deixar o seu bichinho no Brasil é a última coisa que você quer quando está se mudando para outro país.

No dia do embarque, fizemos o nosso check-in no balcão da Air Canada com bastante antecedência. Alí mesmo fizemos o pagamento da taxa de $100 (não consigo me lembrar se foi canadense ou americano) para o embarque da Alice. Eles pediram para ver a bolsinha de transporte e fizeram a pesagem para ter certeza de que não ultrapassava os 10kg máximos permitidos.

Depois disso, nos despedimos da família e entramos para a sala de embarque. O que aconteceu depois disso vocês já sabem. Já estamos por aqui há um ano, e a Alice é, sem dúvida, uma das melhores coisas que já nos aconteceu.

Trazer o seu animal de estimação não é difícil, mas requer todo um preparo que deve ser considerado. Pesquise bastante e procure pelas informações mais atualizadas possíveis. Também não se esqueça que cada país tem as suas próprias exigências e o que fizemos para o Canadá provavelmente não é o mesmo que para Alemanha, Inglaterra, Austrália ou demais países.

Espero ter ajudado quem está procurando informações de como viajar com o seu animal de estimação e também deixo aqui um link com informações que poderão te ajudar nesse processo.

Um abraço a todos e até a próxima!

Então foi Natal…

 De todas as datas comemorativas, o Natal é, sem dúvida, aquela em que mais desejamos ficar próximos das pessoas que amamos.

Depois que casamos, aprendemos a nos dividir entre as duas famílias nestas datas, mas naquele momento, apesar da distância física, sempre soubemos que apenas poucas horas nos separavam.

Neste ano, no entanto, a coisa foi diferente. Este foi o nosso primeiro Natal desde que saímos do Brasil em Dezembro de 2014. Ao mesmo tempo em que estávamos animados com a oportunidade de passarmos a festa aqui, sabíamos que sentiríamos a falta das pessoas lá do outro lado, que sempre nos fizeram tão bem.

Mas, assim como nós, existem muitos outros exemplos de pessoas que decidiram buscar os sonhos aqui nas terras geladas do Canadá. E já que elas também se distanciaram fisicamente de suas famílias no Brasil, resolvemos nos reunir para celebrarmos o dia juntos.

Durante a semana meus colegas de trabalho me perguntaram como seria a comemoração do Natal já que eles sabiam que minha única família por aqui é a Mari e a Alice. Quando disse que seríamos em 13 pessoas e que cada um levaria algo para fazermos a nossa ceia, notei que ficaram surpresos. Este tipo de “junta panela” tão tradicional no Brasil, aqui não me pareceu ser assim tão comum durante o Natal. Mas não tem problema nenhum. O importante é que deste jeito, cada um de nós se sentiria em casa.

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E foi exatamente assim que aconteceu. A ceia com perú, farofa, arroz com uva passa (sim, não poderia faltar a uva passa), salpicão, maionese e até uma costelinha de porco foi suficiente para nos deixar ocupados por algumas horas. Também não deixamos de fazer o tradicional amigo secreto, mesmo que tenha sido com os presentes da tão conhecida Dollarama aqui do Canadá. Até a Alice participou do sorteio, afinal de contas ela também foi uma das anfitriãs da festa.DSC06433

O importante é que todos nós curtimos a data. A família fez falta? Com certeza, mas não deixamos em nenhum momento que esta falta acabasse com a nossa alegria. Cada uma dessas pessoas veio para esta terra com um objetivo, e foi muito gostoso dividir com eles este momento.

Por fim, este foi apenas o primeiro de muitos Natais que potencialmente passaremos por aqui. E quem sabe um dia, nossa família crie coragem e venha passar um Natal bem geladinho com a gente. Se isso acontecer, vou torcer para que tenha neve e eles possam vivenciar, pela primeira vez, o tão famoso White Christmas que apenas conhecem através dos filmes.