Está aberta a temporada da saudade

img_3220

Amanhã, dia 14 de Outubro acontece o Thanksgiving (Dia de Ação de Graças) aqui no Canadá. Embora essa não seja uma data comemorativa que estamos acostumados a celebrar no Brasil, quando estamos por aqui, fazemos questão de comemorar, afinal de contas, quanto mais nos inserirmos na cultura local, mais fácil se torna a nossa adaptação.

Como a nossa família por aqui é formada pelos amigos que vamos conhecendo pelo caminho, as datas comemorativas são celebradas com eles. Em geral fazemos um almoço ou jantar, cada um leva algum prato, bebidas, sobremesas, e fazemos aquele “junta panelas” bem digno de brasileiros mesmo. Alguns preferem fazer os pratos tradicionais de Thanksgiving, com perú, purê de batata, molho de cranberries (não sei se isso existe no Brasil), mas eu gosto mesmo é de comer algo bem brasileiro, com direito a maionese, carne assada, etc.

Mas para nós brasileiros, o Thanksgiving marca mesmo, o início da fase mais difícil para quem mora longe de sua terra natal: as festas de final de ano.

Na minha opinião, mente quem diz que não se importa em ver a família toda reunida no Natal e/ou Ano Novo, enquanto nós estamos aqui do outro lado, felizes por estarmos aqui, mas com um buraco enorme de saber que nossos entes queridos estão lá, todos juntos, e morrendo de saudades da gente também.

Confesso que dá vontade de pegar o avião e correr para lá. Passar vários dias ao lado deles. Comer todas aquelas delícias da nossa ceia de Natal, tomar, com alegria, aquelas cervejas brasileiras, ficar horas contando para eles todas as nossas experiências daqui, mesmo correndo o risco das pessoas nos acharem “metidos”.

Infelizmente as passagens aéreas vão nas alturas nessa época do ano. Meu trabalho também me impossibilita de fazer isso, e devido ao inverno rigoroso daqui, já sei que ninguém de lá terá coragem um dia de vir passar o Natal aqui comigo. Assim, sigo por aqui, ano após ano, olhando as fotos, relembrando das festas que celebrei por lá, questionando se vale a pena ficar aqui tão longe, reavaliando as minhas escolhas, enfim, vivendo a temporada da saudade, que começou em Outubro e vai durar mais ou menos até Fevereiro.

Seria o inverno, o fator que deixa a gente assim tão nostálgico? Talvez! De repente o fato de ficarmos mais em casa, fazermos menos atividades, deixe a gente com mais tempo para pensarmos naquilo o que deixamos para trás. Além disso, por ser uma época em que as pessoas estão de férias no Brasil, vemos muito mais fotos da família reunida em outros eventos que vão além das festas de Final de Ano. Há sempre fotos de churrascos, piscina, praias, enquanto nós estamos mergulhados onde? Na neve!!!

Se este post estivesse disponível em alguns grupos do Facebook do qual faço parte, sei que no espaço para comentário teria um monte de coisas do tipo “está infeliz, então volta pro Brasil, otário!”, mas é justamente o contrário disso que torna essa época do ano tão complicada para quem está aqui longe. Não, não estou infeliz, e também não, não estou com vontade de ir embora. Mas viver com essa divisão entre o estar aqui, e ver a família por lá, isso sim faz uma diferença muito grande. Se pudéssemos nos dividir e estar em dois lugares ao mesmo tempo, o faria com certeza.

Mas aí entra novamente o papel importante que os amigos desempenham na nossa vida aqui no Canadá. Eles também se sentem exatamente da forma como coloquei aqui neste texto. E aí a gente faz o quê? Se reúne, come, brinda à vida, celebra o novo ano. A gente se apoia, compartilha as frustrações, chora junto se for preciso. E assim vamos vivendo, um dia de cada vez, até que a primavera chega, os churrascos por aqui também começam, a gente se distrai, aproveita o verão como se fosse o último, e se prepara para a chegada do próximo Thanksgiving, onde o ciclo se renova.

Está bom assim? Está. Poderia ser melhor? Com certeza, se eles estivessem aqui pertinho. Ah, quem sabe um dia eles deixem o medo do inverno de lado e decidam vir. Sigo aqui sonhando!

Mas e vocês? Compartilhem aqui se também se sentem desta forma nessa época do ano.

Um abraço a todos e Happy Thanksgiving!!!

Anúncios

O inverno dura 8 meses?

Umas das maiores vantagens de estar mais presente nas redes sociais agora, é que posso aproveitar as perguntas que recebo com mais frequência, e respondê-las em forma de post aqui no Blog. Apenas um lembrete que meu perfil do Instagram tem a palavra blog no final: @vivendoemhamiltonblog.

Dentre essas perguntas que recebo, umas delas me chamou a atenção nos últimos dias – “É verdade que o inverno dura 8 meses aí no Canadá?” – então achei importante trazer esse assunto para cá. Olhando os meus posts mais antigos, vi que já falei sobre o inverno aqui e aqui, mas acho sempre importante resgatar algumas informações.

 

É bem comum ouvir que as estações do ano são muito bem definidas aqui no hemisfério norte, e que as temperaturas começam a cair em meados de Outubro, quando já estamos no outono.

Durante os primeiros dias do mês, ainda é possível termos a temperatura com dois dígitos durante o dia. À noite, no entanto, há uma queda considerável, e o aquecimento interno nas casas e estabelecimentos públicos e comerciais já começa a ser utilizado. Embora o outono daqui seja semelhante ao inverno de algumas regiões do Brasil, ele está bem longe de ser a temperatura mais baixa que fará no Canadá. Por que estou batendo nesta tecla? Porque os meses de Outubro e Novembro, embora mais gelados do que muita gente está acostumado, não são considerados tão frios. Dezembro, Janeiro e Fevereiro, por outro lado, são os meses em que devemos estar preparados para as temperaturas negativas e muita neve.

Procurei algum site da internet que me desse uma média de temperatura mês a mês, mas confesso que não gostei muito dos resultados que encontrei, primeiro porque as informações são antigas, e segundo, porque como estão baseados na média, achei as temperaturas bem distante da realidade. Para exemplificar, a temperatura mínima do mês de Janeiro, em média, segundo este site, é de -9C. Obviamente terão dias em que fará -9C, mas baseado na minha experiência dos últimos 5 anos, a temperatura ficará muito abaixo disso, principalmente nos últimos dias de Janeiro e durante todo o mês de Fevereiro.

A partir do mês de Março, aos poucos, a temperatura vai ficando mais amena, mas tenho que admitir que isso acontece muito lentamente. Ainda segundo o site em que pesquisei, a média de temperatura mais baixa nos meses de Março, Abril e Maio, são, respectivamente, -4C, 2C e 8C. Para quem ainda está no Brasil e vê a temperatura de 8 graus em Maio, acredita que isso é muito frio. Mas quem está aqui no Canadá e passou por temperaturas super negativas, quando os termômetros estão quase atingindo os dois dígitos, nós já estamos super felizes e contando os dias para a chegada do verão, como eu relatei neste post aqui.

Para concluir, respondo a pergunta que originou este post. Não, o inverno não dura 8 meses, mas as temperaturas serão muito mais geladas do que nós estamos acostumados no Brasil, e por muito mais tempo do que gostaríamos. Somente em Junho é que a gente consegue sair de casa confortavelmente usando uma roupa de mangas curtas, por exemplo.

Embora os números assustem bastante, tudo é apenas uma questão de adaptação. Como já mencionei em outras postagens, e também no Instagram, quando estamos com as roupas e acessórios apropriados, a gente consegue passar os meses de frio sem sofrimento ou desconforto. Mas também é importante respeitar os nossos limites pessoais. Alguém que já sabe de antemão que não gostará do inverno e não conseguirá suportar os dias frios e/ou cinzentos, bem comuns desta época, talvez tenham que vir fazer uma experiência antes de assumir compromissos e mudar toda a sua vida para cá. Quem resolve vir para o Canadá, busca, na maioria das vezes, qualidade de vida, mas se o clima daqui não contribuirá para essa melhora, então talvez seja melhor repensar outras alternativas em que as temperaturas não sejam tão extremas. Mas para quem resolve vir mesmo assim, meu conselho é: aproveite a neve, saia de casa, não deixe a sua vida parar por causa do frio. No final, quem sabe até você aprende a gostar. Venha aberto para novas experiências e novos desafios!!!

 

 

Projeto 6 on 6 Canada – Outubro 2019 – Por onde andamos

img_3088

O dia 6 de Outubro marca o início de uma nova fase do Blog Vivendo em Hamilton. A partir de hoje, faço parte do Projeto 6 on 6 que já está no ar desde 2015. Para quem ainda não conhece o projeto, explicarei como funciona: todo dia 6 de cada mês, seis blogueiros (as) que vivem em diferentes cidades do Canadá, escrevem sobre um determinado tema, mostrando, assim, as diferentes opiniões e visões de mundo, através de fotos e vivências. Minha chegada ao grupo dificultará um pouco a vida das meninas, tão acostumadas a se referirem ao projeto com 6 blogueirAS, mas agora teremos que adaptar essa fala. Antes de mais nada, agradeço pelo convite e espero corresponder às expectativas.

O tema deste mês não poderia ter sido melhor, uma vez que será uma excelente oportunidade para eu me apresentar para o novo público que chegará através dos outros 5 blogs participantes. Todos nós falaremos um pouco sobre “Onde Andamos“, e isso revelará um pouco sobre mim. Vamos andar então?

img_2802

Esse velho par de tênis preto, me acompanha desde que cheguei no Canadá no final de 2014. Já está desgastado, com a sola querendo abrir, mas não consigo me desfazer dele. É o meu velho “companheiro de guerra”. É ele que me leva nas minhas andanças pela cidade de Hamilton, onde moro desde que me mudei para este país em 2014. Na foto, estou subindo as escadas de uma das trilhas que mais gosto aqui na cidade, a Chedoke Radial Trail. Estaria mentindo se dissesse que gosto de me exercitar nas escadas. Muito pelo contrário, eu evito ao máximo ter que passar por elas, mas a trilha passa pela parte de cima da montanha, portanto, não há como fugir dos degraus. Tento, todavia, começar a trilha de um lado em que precise apenas descer as escadas, ao invés de subi-las. Pretty lazy, eh!!! A verdade é que encontrei nas trilhas uma forma de relaxar. Posso passar horas andando pelo mesmo caminho, todos os dias, e não me canso dele. Sempre vejo paisagens diferentes, pessoas diferentes, animais silvestres, ou seja, cada dia é uma nova experiência. Esse foi um dos presentes que o Canadá me deu: o contato com a natureza, que eu já não valorizava quando estava no Brasil. Thank you, Canada!!!

 

afterlightimage-1Infelizmente não tenho o dom de “andar sobre a água”, apesar de sim, já ter caminhado sobre esse lago (o Lake Ontario) durante os meses de inverno. Andar na água foi algo que fiz bastante durante o verão que acabou de ficar para trás. Aproveitei o máximo que pude para curtir bastante a água. Fui algumas vezes passar o dia em Long Point, uma praia de água doce localizada a mais ou menos 100 km de Hamilton. Também curti bastante a super piscina que fica no Bronte Creek Provincial Park, a poucos minutos daqui da cidade. Não posso deixar de mencionar que fui acampar, como já contei aqui, e obviamente, aproveitei a oportunidade para me refrescar no Lake Huron. Andar por qualquer lugar que tenha água, é, praticamente certeza que minha diversão está garantida.

img_3053-2Com a chegada do Outono, é praticamente impossível não aproveitar os momentos de folga para andar em algum parque em busca das cores da estação. No final de Setembro as folhas ainda não estão 100% coloridas, e ainda não caíram das árvores na mesma intensidade em que isso acontece no mês de Outubro. Mas já dá para ver os diferentes tons, e a perfeição disso é inquestionável. O Outono é, sem dúvidas, a minha estação preferida aqui no Canadá. Embora eu goste demais de aproveitar os dias quentes de verão, a temperatura dos meses de Setembro e Outubro são as que eu considero as mais agradáveis para fazer um passeio por aqui. Mesmo que já esteja ventando bastante, é só se agasalhar bem, enrolar um cachecol no pescoço, segurar um café quente na mão, e partir em busca da foto perfeita.

img_3050Andando por um desses parques da cidade, esses dias me deparei com uma Greenhouse Tropical e entrei para espiar. Fiquei olhando cada uma das plantas e admirando as flores e as frutas que estavam crescendo por lá. Me lembrei que nunca tinha feito absolutamente nada de jardinagem no Brasil, mas que aqui acabei descobrindo que gosto bastante de cuidar do jardim. Como moro em apartamento, tenho uma plantinha ou outra, que normalmente, pela falta de experiência, deixo morrer, mas acabei me voluntariando para cuidar do jardim lá da empresa em que trabalho, e até que as coisas deram certo. A maioria das flores que plantei por lá já estão no segundo ano, então em 2019 elas cresceram bem mais fortes e mais saudáveis. Não precisei me esforçar demais para elas ficarem bonitas, mas tive bastante trabalho para tentar manter as ervas daninhas longe lá do meu jardim. É engraçado que depois que me engajei com isso, sempre que estou andando pelo bairro, ou mesmo por alguma trilha da cidade (já falei que gosto de trilhas, right?) fico reparando nas flores. É uma pena que logo mais elas tirarão uma longa pausa e voltarão apenas no início de Abril.

img_3124

Cadê o tênis preto, Reinaldo? Ah, ando trabalhando demais, e na hora de ir ao escritório, são os sapatos sociais que me acompanham por lá. Mas quando digo que trabalho bastante, não estou exagerando não. Quando somos novos no Canadá, a gente passa por uma série de desafios, e imaginamos que aqueles que já estão aqui há mais tempo, já superaram esses obstáculos e têm uma vida muito mais confortável. Isso é verdade de um certo modo. Os desafios iniciais passam, mas com eles vem muitos outros. Alguns até mesmo mais difíceis e inesperados. Ando pensando bastante sobre isso. Intensifiquei, e muito, as minhas horas de trabalho, e isso acabou, de certa forma, impactando um pouco no meu tempo livre para andar e explorar a cidade. Acabei me limitando mais aos finais de semana, que geralmente são curtos para fazer tudo aquilo que não tenho tempo, ou disposição, para fazer durante a semana. Mesmo assim, me considero sortudo por trabalhar próximo de casa, assim, não perco tempo me deslocando de casa ao trabalho e vice-versa. Isso me poupa uns bons minutos, e eu deveria aproveitá-los para caminhar e me exercitar com mais frequência.

afterlightimage

Mas eu também sinto que preciso falar um pouco de onde NÃO ANDEI. Percebo que durante o verão, a gente sente uma obrigação de sair de casa e aproveitar os dias de calor, que duram muito pouco. Também vejo, que a vida de aspirante a blogueiro e participante ativo nas redes sociais, também trazem uma inquietação de que temos que estar em todos os lugares a todos os momentos, para fazer um registro bacana, tirar uma foto descolada ou mesmo gravar um vídeo com uma informação relevante. Com isso, a gente acaba deixando de aproveitar algo que também é importante. O ficar em casa, relaxando, sem fazer nada, sem pressa, sem cobranças. Deixei sim de andar por algumas vezes, e não me arrependo disso não. Agora que o tempo começa a ficar mais geladinho, a gente acaba ficando em casa sem culpa, mas aproveitei os meus momentos durante o verão também. Não andei por todos os lugares que gostaria, mas a parte boa disso, é que ainda tenho muito pela frente e muitos caminhos a percorrer.

 

Espero que tenham gostado de fazer essa caminhada comigo. Agora os convido a visitarem os outros 5 Blogs que participam do Projeto 6 on 6.

img_2740

 

Serviço Social em Ontário

african african american bangkok black

Foto por rawpixel.com em Pexels.com

Recentemente me pediram no Instagram (@vivendoemhamiltonblog) para falar um pouco sobre a área de Serviço Social aqui no Canadá, já que eu comentei que sou formado no Brasil e trabalho na área social por aqui. Como sei que este não é um tema de interesse geral, apenas de algumas pessoas que se identificam com o setor, achei melhor criar um post mais detalhado aqui no Blog, e deixá-lo disponível para todos aqueles que se interessam pelo assunto, ao invés de fazer uma série de stories lá no Instagram que ninguém assistirá até o fim.

Primeiramente, acho importante salientar que não trabalho como Assistente Social aqui, e também que não validei as minhas credenciais, portanto, assim como a maioria, eu também não tenho certeza de como o processo de validação acontece. Tenho interesse, claro, mas tenho receio de investir nisso, e ao final do processo, não obter o mesmo tipo de credencial que tinha no Brasil.

O Serviço Social aqui é dividido em 3 classes: Social Services Worker, Social Worker e Clinical Social Worker. Falarei a seguir sobre cada um deles:

Social Services Worker

O Social Services Worker, ou SSW, é a denominação para aqueles que estudam em um College, em um programa, normalmente, de 2 anos. Para quem procura um desses cursos por aqui, ele entra na categoria de Diploma. Aqui em Ontario (não sei dizer em outras provícias), uma pessoa que conclui um programa de SSW, pode se registrar no Ontario College of Social Workers and Social Service Workers, que é o orgão equivalente ao CRESS lá no Brasil. A maioria dos empregos para quem cursa o programa de Social Services Worker, não exige o registro no Conselho de Classe, e nem todas as empresas pagam um salário diferenciado para aqueles que o tem. Obviamente que existem aqueles empregos mais concorridos, em que o registro será um diferencial, portanto, se o objetivo é se destacar em relação aos demais candidatos, então pode valer a pena pagar a anuidade.

Os empregos mais comuns para quem é formado nesta área, são para trabalhar em casas de repouso, abrigos, programas de tratamento de dependência química, food banks, etc.

Social Worker

O programa de Social Work já é um curso de 4 anos em universidade. Ele te dá a formação de Bacharel em Serviço Social, e assim, quem conclui esse curso, se intitula como BSW. Neste caso, o registro no conselho é muito mais do que recomendado, pois a maior parte dos empregos disponíveis para um BSW exigirá a inscrição no OCSWSSW. Sem ela, você não poderá assinar nada como Social Worker.

As vagas mais comuns para quem tem esta formação, são geralmente em hospitais, presídios, programas de reabilitação, clínicas médicas, no entanto, um profissional desta área não é capacitado para dar aconselhamento ou aplicar qualquer tipo de terapia clínica. Para tal, é necessário um mestrado, e aí já entra em outra categoria, que falarei a seguir.

Clinical Social Worker

Como já mencionei brevemente, um Clinical Social Worker está no topo da categoria de profissionais da área do Serviço Social, e somente atinge este patamar, após ter concluído o Mestrado em Serviço Social. É bem semelhante ao que acontece com os psicólogos, que para fazerem atendimento clínico aqui no Canadá, obrigatoriamente precisam ter concluído o doutorado por aqui.

O CSW pode aplicar técnicas de terapia, que o fazem, muitas vezes, ser confundido com o profissional da Psicologia. No entanto, existe uma diferença, já que o CSW trabalha com os comportamentos sociais e emocionais apenas como forma de reintegração dos indivíduos na comunidade, enquanto o psicólogo explora esses comportamentos na sua raiz, com o objetivo de tratá-los.

Um Clinical Social Worker é muito bem pago aqui no Canadá, e a maioria dos profissionais desta área acaba trabalhando em Hospitais, mas também abrindo suas clínicas próprias. Quem sabe um dia resolvo validar as minhas credenciais por aqui e volto a estudar! Nunca se sabe, não é?

Acho interessante mencionar que para trabalhar em alguns dos empregos que citei neste post, nem é necessário ser formado exatamente em alguma destas categorias do Serviço Social. Uma formação na área de humanas, e o desejo de trabalhar com indivíduos vulneráveis, pode ser o pontapé inicial para ingressar na área social aqui no Canadá. Fica, portanto, a dica para quem tem este tipo de formação, está pensando em vir para cá e não sabe com o que trabalhar. Indico o site Charity Village para procurar empregos nesta área.

Espero que este post tenha ajudado. Boa sorte a todos vocês e até a próxima!

 

Hamilton: A cidade das cachoeiras

afterlightimageÉ impossível falar da cidade de Hamilton sem citar que ela é conhecida como a cidade das cachoeiras. São mais de 100 no total, algumas menores e outras bem volumosas e incríveis.

Sempre que recebo alguma visita, incluo as cachoeiras na minha lista de lugares que devo leva-los para visitar. Agora que também estou divulgando a cidade através das redes sociais, sempre que tenho uma oportunidade, adiciono uma foto de cachoeira, e deixo a natureza fazer o sucesso que merece.

Nos últimos dias, visitei duas das minhas favoritas na cidade: a Tiffany Falls e a Albion Falls (da foto acima). Ambos os lugares eu já havia ido inúmeras vezes, mas acho impressionante o quanto a paisagem muda entre uma visita e outra. Comparando as fotos da Albion Falls de maio de 2019, com essa aí que acabei de postar, vejo a diferença na vegetação e também no volume de água.d26a84c8-1ece-4fae-8715-fd0a19d7d4b3

E já que estou falando justamente sobre a mudança no visual de uma estação para outra, não poderia deixar de compartilhar a principal mudança observada na Tiffany Falls:

0fd0de8f-9336-4339-8405-2e3c01b3e453

img_8284

Infelizmente as cachoeiras de Hamilton não são liberadas para banho. Embora a Tiffany Falls seja toda aberta, as pessoas não costumam utilizá-la para nadar, ou coisas do tipo. No máximo para uma foto um pouco mais próxima da queda d’água. No entanto, em outras cachoeiras mais conhecidas, é extremamente proibido o acesso. Na Albion Falls, por exemplo, existe uma barreira cercando toda a extensão da cachoeira, e segurança praticamente 24 horas por dia. Isso se deve ao fato de que muitas pessoas, nos anos anteriores, estavam se aventurando nas pedras, e acabaram se machucando. Algumas fatalidades também foram registradas por lá. O grande problema desses acidentes nas cachoeiras, é que o resgate é extremamente difícil, tendo que ser realizado, na maioria das vezes, por cordas. Há mais ou menos um mês, um bombeiro se acidentou na Albion Falls, enquanto fazia o resgate de uma pessoa. A multa para quem ultrapassa as barreiras, pode chegar à $10.000. Melhor não arriscar, certo?

Mas a verdade é que quem mora aqui na região, inclusive em Toronto, com certeza não pode perder a oportunidade de conhecer essas maravilhas, e aproveitar a vinda para fazer um tour pela cidade, tomar um café em algumas das cafeterias daqui, ou mesmo para visitar alguma cervejaria local. Abaixo eu coloco a foto de 3 outras cachoeiras importantes daqui, que fazem o passeio valer a pena. São elas: Sherman Falls, Tew´s Falls (que estava meio seca na época em que visitei), e a Webster Falls, que fica bem próxima de um outro ponto turístico importante da cidade, o Dundas Peak.

Você conhece alguma outra cachoeira daqui? Deixe a sua sugestão aí nos comentários.

Um abraço e até a próxima!

Os primeiros passos para quem vem estudar no Canadá

Postei este texto no perfil @vivendoemhamiltonblog do Instagram, e como a receptividade dele foi grande, quis deixar ele registrado aqui também.

Como sei que nessa época do ano tem muita gente chegando, não só em Hamilton, mas no Canadá com um todo, para iniciar os estudos por aqui, achei interessante postar uma lista de coisas que precisam ser feitas durante os primeiros dias da sua chegada. SIM, é bem comum se preparar por anos e depois que chegar aqui “ter um branco” e não saber nem por onde começar. Caso eu esqueça de algum item, fiquem a vontade para adicionar nos comentários, beleza? ⠀

• Study/Work Permit: assim que passar pela imigração, logo na chegada ao Canadá, você receberá os seus (e do cônjuge) permits. Não saia do aeroporto sem esses documentos.

• No primeiro dia útil desde a sua chegada, vá ao College fazer um check in e dizer que você já está por aqui. Se precisar fazer alguma prova de inglês, eles já agendarão na hora. Se ainda não selecionou seu timetable, eles de darão o acesso para você fazer isso. Aproveite para perguntar sobre a inclusão do cônjuge no Health Insurance do college.

• SIN: uma das primeiras coisas é tirar o seu Social Insurance Number. Procure pelo escritório mais próximo, confira a lista de documentos e horário de atendimento e vá fazê-lo. Você precisará deste documento para dar os próximos passos. Algumas pessoas já conseguem fazer o SIN no próprio aeroporto na chegada. Informe-se sobre essa possibilidade também.

• Conta no Banco: escolha um banco que te ofereça vantagens e que tenha um bom número de ATMs pela cidade. Existem boas opções de conta para estudantes ou new residents.

• Celular: você precisará de um número daqui para que seu futuro landlord te ligue para dizer que você foi aprovado para o apartamento/casa, então já feche o seu plano de celular assim que chegar.

• Aluguel: comece a busca por casa/apartamento. Saia na rua nas regiões que você pretende morar e entre em todos os imóveis que te agradarem. Ande muito. Veja o máximo possível de opções. Faça perguntas, observe tudo. Chore, pois o apartamento que você gostou é muito mais caro do que você pode pagar. Chore mais um pouco ao descobrir que só tem unidades disponíveis para 1 de Outubro e seu AirBnB só vai até o final de Agosto. Continue procurando. Se realmente tiver que ficar para Outubro, comece a pensar na extensão da sua moradia provisória. Isso é importante! Não deixe para a última hora.

• Preencher um application para o apartamento: uma vez que você escolhe seu apartamento, deverá preencher o application e levar sua documentação para aprovação. Alguns landlords pedirão para você já dar os cheques de primeiro e último aluguel. No dia que ele te ligar avisando que seu application foi aprovado, seu coração quase sairá pela boca. Prepare-se! Se a resposta for negativa, o coração sairá pela boca também, mas neste caso será de frustração. Não se deixe abater, continue a busca!

• Assim que você for aprovado, o próximo passo será comprar móveis/utensílios: Essa é a fase do processo em que o bolso começa a doer. O dinheiro vai saindo com uma rapidez que você nem imagina. É ok começar comprando somente os itens principais e depois ir comprando o restante. Sei que você quer postar no Instagram aquela casa perfeitamente devorada, mas você terá tempo de fazer isso no futuro, não precisa se desesperar agora.

• Se comprou os móveis na Ikea, agora a diversão será para montá-los. A cama e o sofá são as partes mais chatas, mas você ficará expert no assunto depois disso.

• A primeira comprar no supermercado também é divertida. Você provavelmente não terá carro, então é importante adquirir um daqueles carrinhos de mercado em que você coloca as compras e vem puxando ele. Super útil.

• TV e Internet: pesquise todas as companhias e veja aquela que te oferece os melhores preços/condições. Dê preferência a opções com internet ilimitada, pois você precisará muito dela para tudo.

• Uma vez que você já está instalado, com internet, com móveis e etc, será a hora de começar a procurar emprego. Prepara-se para a fazer dos NÃOS, ou mesmo das aplicações sem retorno. É um período frustrante. Você quer que as coisas aconteçam rápido e nem sempre este é o caso. Mande o máximo de curriculos possível. Se preciso, visite um deste centros de employment e peça a revisão do seu currículo e cover letter. Isso ajudará bastante no processo. ⠀

Nos primeiros dias no Canadá as suas emoções estão à flor da pele. Permita-se senti-las. É muito comum as pessoas planejarem muito antes de vir e depois que chegam aqui só chorarem. É normal, e passa.

Não se iluda com aquele perfil do Instagram favorito que chegou ontem e já visitou todos os lagos e pontos turísticos do Canadá. Não é a realidade de todos. Viva as coisas no SEU TEMPO. Você terá tempo de sobra para visitar tudo o que quiser/puder. Os primeiros dias são importantes para a sua adaptação, então resolva as coisas essenciais primeiro, mas sim, tire intervalos para descansar, dar uma volta, conhecer a cidade.

Welcome to Canada! Espero que você encontre aquilo o que veio buscar aqui. E se não for exatamente o que você procurava, aprenda a gostar das coisas novas que você encontrou. #TamoJunto ⠀

Acampando pela primeira vez

Desde que cheguei no Canadá, no final de 2014, ouço que os canadenses, em geral, adoram acampar, e sempre aproveitam os meses de verão para praticar essa atividade com as crianças. Há muito tempo eu já estava com vontade de fazer isso também, mas foi somente no verão de 2018, que fui passar um dia com uns amigos que estavam acampando, e isso despertou ainda mais a minha vontade de experimentar o acampamento pra valer.

Desde então, prometi que em 2019 eu acamparia, mesmo que ninguém mais estivesse interessado, eu iria sozinho mesmo. Não foi preciso. Esses mesmos amigos que me chamaram para passar o dia com eles no verão passado, esse ano me convidaram para r acampar e passar o feriado prolongado do Canada Day por lá. Topei na hora!!!

Neste post, quero contar um pouco sobre cada uma das etapas e preparação para o acampamento, pois caso vocês que estão visitando o Blog, se quiserem fazer o mesmo no futuro, já sabem por onde começar (principalmente se forem marinheiros de primeira viagem, como eu).

Reserva do Parque

A primeira coisa a fazer, uma vez que já decidiu a data em que pretende acampar, é fazer a reserva do parque e, consequentemente, do terreno em que ficará acampado. A forma mais simples de fazer a reserva é online, através do site do Ontario Parks, mas pode também ser feito por telefone. Neste momento é preciso já tomar algumas decisões: que tipo de acomodação você prefere, barracas, trailer ou cabines? Prefere com ou sem energia elétrica? Tem algum parque em mente, ou está disposto a aceitar qualquer um que esteja disponível?

Vale lembrar que se você pretende ir durante os finais de semana, principalmente com emenda de feriado, precisa fazer a reserva com muita antecedência. Meu amigo deixou reservado desde Março, para irmos no final de Junho. Quando ele entrou, já haviam poucas opções de terrenos disponíveis, portanto, vocês precisam ser rápidos. Caso tenham interesse em ir durante a semana, a procura é menor, portanto, é mais provável que consigam disponibilidade com mais facilidade.

Bom, meu amigo escolheu um parque que eles já tinham acampando no ano passado e gostado bastante, o MacGregor Provincial Park, que fica a mais ou menos 200km de Hamilton. Ele optou por um terreno com energia elétrica (graças a Deus!!!!) e as barracas foram a nossa forma de acomodação.

Preparativos

Uma vez que já tínhamos a data e também o parque, o próximo passo foi providenciar as coisas para o acampamento. Como meus amigos já acamparam bastante no verão passado, muitos dos acessórios para camping eles já tinham, então, dessa vez, não precisei me preocupar com eles: extensão para energia elétrica, lâmpadas para iluminar o terreno à noite, churrasqueira portátil, fogão elétrico, etc.

Mas eu ainda precisava providenciar uma barraca. Andei lendo pela internet que essas que divulgam que comportam até 6 pessoas, na verdade, conseguem comportar, confortavelmente, 4. Com isso em mente, achei uma barraca no Walmart, que era boa para até 8 pessoas. Sabia que era exagero comprar algo tão grande assim, mas, não conseguiríamos dormir apertados, e nem queríamos ficar sufocados dentro de uma barraca pequena. Comprei, e não me arrependi.

80136d0a-644f-4473-be84-c21d656a3b4f

Também precisava comprar duas lonas, uma para montar a barraca em cima, e evitar que ela ficasse encharcada, caso chovesse, ou o solo estivesse molhado, e uma para colocar em cima da barraca, também como proteção para a chuva. Vocês acham que eu sabia como amarrar a lona nas árvores para proteger a barraca? Nãoooo, mas meu amigo, muito mais experiente no assunto, me ajudou e deu tudo certo. Optamos, na verdade, por fazer uma proteção para uma das mesas de picnic que tinha no terreno, já que não havia mais previsão de chuva para aqueles dias.

Outra coisa que precisávamos, mas que eu já tinha comprado no verão passado, foi um cooler para levar as comidas e bebidas. Uma coisa a menos para me preocupar. Também já tínhamos aquelas cadeiras de acampamento, que pagamos baratinho no Walmart, e as levamos para tudo quanto é lado, sempre que tem algum evento na região.

6d361fa1-547c-4628-a482-fa272388adcf

As comidas

Nesse ponto somos exagerados mesmo. Meus amigos já tinham falado que não precisávamos levar muitas coisas, afinal eles também estavam levando, mas não consigo. Compramos linguiça, frango, carne de porco, milho, pães, ovos, café solúvel, snacks, e claro, uma picanha para fazermos um belo churrasco. Comprei a picanha no Duarte´s, o mesmo lugar aqui em Hamilton onde já mencionei que dá para comprar ingredientes para fazer uma feijoada. Clique aqui para saber mais informações.

Meus amigos também levaram costela, frango e linguiças, portanto, tínhamos comida suficiente para ficar mais uns 2 ou 3 dias, se quiséssemos ficar mais por lá. Exagerados, como já disse!

img_1049

Atividades no parque

O parque possui muitas atrações, entre elas, trilhas (que nós gostamos demais), aluguel de bicicletas, playground para as crianças, e claro, um lago azul, daqueles que mesmo gelado, deixa a gente com vontade entrar na água. Fizemos um pouco de cada uma dessas coisas, exceto, o aluguel de bicicletas. Como levamos cachorro (lembram da Alice?), eu não tinha aquelas cestas de bicicleta para levá-la, então optamos por caminhar. A coitadinha nunca andou tanto na vida dela.

Comprei também um desses botes infláveis, pois desde o ano passado eu já estava com vontade de entrar na água com algo do tipo. O meu comporta um adulto e uma criança, então aproveitei para levar o filho dos meus amigos para se aventurar comigo nas águas geladas do Lake Huron. Foi bom demais!!!

54425c87-6477-4f7c-a7c7-2cf7c2018b5d

A hora de dormir

Como meus amigos do trabalho disseram que eu estava trapaceando quando disse que ficaria em um terreno com energia elétrica, resolvi fazer a coisa um pouco mais rústica, e optei por dormir apenas com o saco de dormir, sem qualquer tipo de colchão. Sabe de nada, inocente!!! Prefiram um colchão inflável, caso vocês tenham interesse em acampar. Nem precisa ser nada muito requintado não, pode ser aqueles mais simples mesmo. Dormir no chão duro, não é uma tarefa fácil. Além disso, quando estiver montando a barraca, veja se tem algum desnível no solo e evitem essa área, pois isso facilitará na hora de posicionar as “camas”, e, acreditem, faz a maior diferença na hora de dormir (ou não).

Contato com a natureza

Essa foi a parte que mais gostei do passeio. Já tinham me falado para levar bastante repelente de mosquitos, portanto, já cheguei lá preparado. Felizmente, no final de semana em que estivemos lá, até que não tinham muitos mosquitos não, mas quando fui nadar e voltei sem reaplicar o repelente, eles fizeram a festa nas minhas pernas. Muito juvenil, eh!!!

Mas fora isso, o lugar é incrível, e pudemos ver várias coisas bonitas durante a nossa passagem por lá. Vou postar algumas fotos que foram tiradas pela @lininha_fr, pois elas ficaram demais.

Banheiros/Chuveiros

Como no verão passado já tinha ido passar um dia em um dos parques da província de Ontario, já sabia, mais ou menos, como eram as dependências do parque, portanto, já tinha gostado de saber como eram os banheiros e espaços para banho. O banheiro, obviamente, não te dá a mesma privacidade que você teria na sua casa, mas para um final de semana, 3 dias, ele está bom demais. Os chuveiros, por outro lado, são bem privativos, quentes, com um bom fluxo d’água. Muito bons!!!

Animais Silvestres

5ade8e5e-0008-44d2-9de1-ecd1b369ac83Logo na primeira noite, quando fui ao banheiro, já vi um cartaz informando que em Junho de 2019, um urso preto tinha sido visto naquele parque. O cartaz era mais informativo, explicando para não deixarmos comida exposta no terreno durante a noite, para evitarmos visitas desnecessárias. Também, foi uma forma de informar, caso alguém visse um urso, não deveria se aproximar dele, obviamente. Uma noite, no entanto, comecei a escutar uns barulhos e logo já imaginei que um (ou muitos) guaxinim estava mexendo na nossa lixeira. O safado encontrou um pote de margarina que tinha um pedaço de torta que havíamos jogado no lixo, e comeu tudo. Na manhã seguinte encontrei o lixo todo revirado, recolhi tudo e levei para uma área do camping própria para isso.

Impressões gerais sobre o camping

Depois de ter passado 3 noites lá, cheguei à conclusão que ainda quero mais. Gostei demais da experiência, portanto, essa foi somente a primeira de muitas vezes que farei isso. Preciso providenciar as coisas que ainda não tenho, sendo que as mais urgentes são o cabo de extensão de energia elétrica e o fogão elétrico. Sem esses dois itens, nada feito!

Se vocês que estão lendo este post, têm vontade de acampar, mas está faltando coragem, eu indico que vocês visitem um desses parques apenas para passar o dia e conhecer o local, e depois reservem para experimentar o acampamento. Não é uma atividade que agrada a todos, mas me diverti bastante, então espero que vocês também tenham a mesma experiência positiva que eu tive.

Um abraço a todos, e até a próxima!!!!